Talvez seja o nada
talvez seja só o céu nublado lá fora
e essa chuva cinza
bem queria eu que não fosse nada
Mas chove até aqui dentro
então pra não me acinzentar nessa chuva
me lavo na água de uma ducha
rezando toda vez pra que ao sair do banho
a chuva
tenha
parado
sábado, 17 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
Pressa na Prece (hai kais)
Agarre tesa
mas se tivermos que ir
juntemos as mãos.
Que o céu desça
andemos sobre nuvens
não mais sobre chãos.
mas se tivermos que ir
juntemos as mãos.
Que o céu desça
andemos sobre nuvens
não mais sobre chãos.
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sábado, 26 de setembro de 2009
Eterno Retorno
...sem olhos na nuca
e querendo espiar
passava de lado
em vez de virar
mas virou para trás
e passou no passado
até o seu fim
e do fim, no começo
reviu o passado
com o começo no fim:
Até então o tempo só
passava
preocupado
em passar...
e querendo espiar
passava de lado
em vez de virar
mas virou para trás
e passou no passado
até o seu fim
e do fim, no começo
reviu o passado
com o começo no fim:
Até então o tempo só
passava
preocupado
em passar...
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Função sintática
Ser é difícil demais, é querer demais; gosto é quando as coisas me são. Enquanto isso, sou sintático: um pronome indefinido que acompanha qualquer palavra que toque, tentando dar - pelo menos um - sentido à vida. Não procuro explicar complexidades, e sim a simplicidade que compõe os complexos. Gosto dos detalhes. Peguei essa mania de detalhismo quando tive um caso com o céu, e o resultado disso é que até hoje vario com o clima.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Das Chuvas
A chuva fala numa língua própria - uma letra a cada gota - e de milímetro em milímetro cobre com sermões a cidade toda, obrigando a calarem-se as janelas e os olhos; e escutá-la, em silêncio. Chove diferente para cada um, embora se fale sempre da vida no céu e das nuvens. Fala, acima de tudo, o que precisamos ouvir; e o que é preciso chover. Mas necessita-se cuidado, pois o problema da chuva é que ela molha e só pára quando quer; e numa dessas de querer encharcar-se com alentos, pode-se pegar um baita resfriado.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
Cisma noturna
Cismou de vir descansar
toda noite
nos sulcos do travesseiro
a tua ausência
ela ronca;
e eu não durmo.
toda noite
nos sulcos do travesseiro
a tua ausência
ela ronca;
e eu não durmo.
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domingo, 19 de julho de 2009
Completando lacunas
Quando não se tem nada para completar as próprias lacunas, completa-as com palavras, até que transborde. Depois, roça o dedo e apanha-as, e verá que elas não têm mais o mesmo significado de antes.
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terça-feira, 14 de julho de 2009
Duro no meio

Foto: Paola D.
endurecendo sob o frio.
Virou só mais uma parte
- algo tão duro e pesado -
que esmaga o próprio ser,
e que leva par abaixo:
No meio de mim,
havia uma pedra.
Havia uma pedra
no meio de mim.
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quarta-feira, 8 de julho de 2009
Recheio
Ninguém te vê entrar,
mas te sentem.
Um breve movimento
de fios de cabelo,
uma leve carícia na nuca
e cócegas nos tornozelos.
Eu sei que é você.
Sussurrando baixinho na fresta da porta,
entre as fechaduras,
enchendo com os seus segredos
pequenos buraquinhos
e, às vezes,
grandes vazios.
mas te sentem.
Um breve movimento
de fios de cabelo,
uma leve carícia na nuca
e cócegas nos tornozelos.
Eu sei que é você.
Sussurrando baixinho na fresta da porta,
entre as fechaduras,
enchendo com os seus segredos
pequenos buraquinhos
e, às vezes,
grandes vazios.
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segunda-feira, 22 de junho de 2009
Despertador
Quem pensa que a voz do tempo é o tic-tac do relógio,
é porque nunca prestou atenção no silêncio -
o tic-tac é só pra você não se perder no meio dele.
é porque nunca prestou atenção no silêncio -
o tic-tac é só pra você não se perder no meio dele.
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